sábado, 31 de dezembro de 2011

E mais um período de 365 dias chega ao seu fim. Eis que chega um período próprio de 4 anos intervalares: um ano bissexto, trazendo um dia a mais de experiência para todos nós. Isso é um presente! Portanto, aproveite 2012 para fazer o que não fez, sonhar o que não sonhou e edificar o que muitos julgam impossível.
Feliz 2012 a todos!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mudança



Então, como hoje o Blogger anunciou que em breve encerrará seus serviços decidi não deixar para depois o que pode ser feito hoje e levei minha cria para uma casa nova.

O novo endereço do blog é http://eucatarsenaescrita.wordpress.com/

Muito obrigada Blogger pelo espaço cedido todos esses anos!

Nina (Chico Buarque)

Nina diz que tem a pele cor de neve
E dois olhos negros como o breu
Nina diz que, embora nova
Por amores já chorou que nem viúva
Mas acabou, esqueceu

Nina adora viajar, mas não se atreve
Num país distante como o meu
Nina diz que fez meu mapa
E no céu o meu destino rapta
O seu

Nina diz que se quiser eu posso ver na tela
A cidade, o bairro, a chaminé da casa dela
Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve

Nina anseia por me conhecer em breve
Me levar para a noite de moscou
Sempre que esta valsa toca
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E vou...

sábado, 22 de outubro de 2011

"Amanhã eu fico triste...Amanhã
Hoje não, hoje fico alegre.

E todos os dias, por mais amargos q sejam eu digo:
Amanhã eu fico triste...Amanhã"

(Poema encontrado na parede de um dormitorio de crianças, no campo de exterminio nazista de Auschwitz)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Os fios elétricos
estendidos por onde o frio reina
Ao norte de toda música.

O sol branco
treina correndo solitário para
a montanha azul da morte.

Temos que viver
com a relva pequena
e o riso dos porões.
 
(Tomas Tranströmer )

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Seja forte! Seja pacífico! Seja você!

A opressão existe em qualquer lugar. Em qualquer lugar. Mas a localização do opressão é o que menos importa. O importante, o essencial e o primordial residem em outro aspecto, no outro pólo: o oprimido.
Oprimido, o que importa de fato é que, quando diante do opressor, não permita que as atitudes e a fala dele te corrompam.
Permaneça onde você está. Não se macule.
Que a opressão desperte o teu melhor, jamais o teu pior. 
Que a opressão desperte a paz em ti, jamais a tua guerra.
Seja forte! Seja pacífico! Seja você!




Nina Oliver

Art is not an attempt to reconcile existence with his vision: it is an attempt to create his own world in this world. That which suggests the subject to the artist is the unlikeness of it to what we accept as reality. We single out, we bring into the light, we put up higher.
KATHERINE MANSFIELD, FROM HER NOTEBOOKS

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

"Ainda Bem" Marisa Monte - Clipe Oficial

Oração ao tempo (Caetano Veloso)


És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...


Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Serenata - Cecília Meireles

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.


Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.


Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
"Lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discriminem.
Lutar pelas diferenças sempre que a igualdade nos descaracterize".
 
(Boaventura de Souza Santos)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011


Quando alguém me pergunta quais são, na minha opinião, os problemas fundamentais do nosso tempo, não tenho qualquer hesitação em responder: o problema dos direitos do homem e o problema da paz. Fundamentais no sentido de que da solução do problema da paz depende a nossa própria sobrevivência, e a solução do problema dos direitos do homem é o único sinal certo de progresso civil.
(Norberto Bobbio, na obra "O Terceiro Ausente")

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Amor quando é amor não definha
E até o final das eras há de aumentar.
Mas se o que eu digo for erro
E o meu engano for provado
Então eu nunca terei escrito
Ou nunca ninguém terá amado.
 
William Shakespeare

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Era uma vez um grupo de sapinhos...


... que organizaram uma competição.
O objetivo era alcançar o topo de uma torre muito alta.

Uma multidão se juntou em volta da torre para ver a corrida e animar os competidores...
A corrida começou...


Sinceramente:
Ninguém naquela multidão toda realmente acreditava que sapinhos tão pequenos pudessem chegar ao topo da torre. 
Eles diziam coisas como:
'Oh, é difícil DEMAIS!!
Eles NUNCA vão chegar ao topo. ' 
ou:
'Eles não tem nenhuma chance de sucederem. A torre é muito alta!'


Os sapinhos começaram a cair. Um por um...
... Só alguns poucos continuaram a subir mais e mais alto...


A multidão continuava a gritar
'É muito difícil!!! Ninguém vai conseguir!'

Outros sapinhos se cansaram e desistiram...
...Mas UM continuou a subir, e a subir...
Este não desistia!


No final, todos os sapinhos tinham desistido de subir a torre. Com exceção do sapinho que, depois de um grande esforço,   foi o único a atingir o topo!
Naturalmente, todos os outros sapinhos queriam saber como ele conseguiu?


Um dos sapinhos perguntou ao campeão como ele conseguiu forças para
atingir o objetivo?


E o resultado foi...
Que o sapinho campeão era SURDO!!!!


A moral da estória é:
Nunca dê ouvidos a pessoas com tendências negativas ou pessimistas...
...porque eles tiram de você seus sonhos e desejos mais maravilhosos.
Aqueles que o Senhor colocou no seu coração!


Sempre se lembre do poder das palavras.
Porque tudo o que você falar, ouvir e ler irá afetar suas ações!

Portanto: Seja SEMPRE... POSITIVO!
E acima de tudo:

Seja SURDO quando as pessoas dizem que VOCÊ
não pode realizar SEUS sonhos!

domingo, 18 de setembro de 2011


"Quando se trata de amor, nunca é tarde demais".

(do filme Cartas para Julieta)

sábado, 17 de setembro de 2011





Romeu:
Se minha mão profana o relicário, em remissão aceito a penitência: meu lábio, peregrino solitário, demonstrará, com sobra, reverência.


Julieta:Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que se mostrou devota e reverente. Nas mãos dos santos pega o paladino. Esse é o beijo mais santo e conveniente.


(Romeu e Julieta, Ato I, Cena V)







Igualdade não é identidade


Combaterei pelo primado do Homem sobre o indivíduo - como do universal sobre o particular. Creio que o culto do universal exalta e liga as riquezas particulares - e funda a única ordem verdadeira, que é a da vida. Uma árvore está em ordem, apesar das raízes que diferem dos ramos.  

Creio que o culto do particular só leva à morte - porque funda a ordem na semelhança. Confunde a unidade do Ser com a identidade das suas partes. E devasta a catedral para alinhar pedras. Combaterei, pois, todo aquele que pretenda impor um costume particular aos outros costumes, um povo aos outros povos, uma raça às outras raças, um pensamento aos outros pensamentos. Creio que o primado do Homem fundamenta a única Igualdade e a única Liberdade que têm significado. Creio na Igualdade dos direitos do Homem através de cada indivíduo. E creio que a única liberdade é a da ascensão do homem. Igualdade não é Identidade. A Liberdade não é a exaltação do indivíduo contra o Homem. Combaterei todo aquele que pretenda submeter a um indivíduo - ou a uma massa de indivíduos - a liberdade do Homem.

Creio que a minha civilização denomina «Caridade» o sacrifício consentido ao Homem para que este estabeleça o seu reino. A caridade é dádiva ao Homem, através da mediocridade do indivíduo. É ela que funda o Homem. Combaterei todo aquele que, pretendendo que a minha caridade honre a mediocridade, renegue o Homem e, assim, aprisione o indivíduo numa mediocridade definitiva. Combaterei pelo Homem. Contra os seus inimigos. Mas também contra mim mesmo. 



(Antoine de Saint-Exupéry, in 'Piloto de Guerra')

Em palestra pública para milhares de pessoas na manhã de 17/9/2011 (sábado), no Anhembi, o Dalai Lama, líder tibetano do budismo, falou sobre a guerra no Afeganistão como um exemplo de que os caminhos da violência são infrutíferos e pregou a desmilitarização mundial que, segundo ele, começa com o "desarmamento interno".

- A raiva, o ódio, o medo e a ganância são as causas primeiras da violência. É importante prestar mais atenção ao nosso mundo interno emocional. A partir da nossa capacidade de lidar com essas emoções negativas, podemos levar o desarmamento externo a acontecer - afirmou o líder religioso.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/09/17/dalai-lama-fala-sobre-guerra-do-afeganistao-corrupcao-em-encontro-em-sao-paulo-925383958.asp#ixzz1YEtbR7cm 
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

“As luzes que descobriram as liberdades
inventaram também as disciplinas”.

(Michel Focault)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

"Pessoas felizes são aquelas cujas mentes estão fixadas em algum outro objeto que não seja a própria felicidade; na felicidade dos outros, no aperfeiçoamento da humanidade, até mesmo em alguma arte ou busca empreendida não como meio, mas como fim ideal. Ao visar assim o outro elas encontram a felicidade casualmente."
 
(John Stuart Mill)
 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011


Achei que o grupo só duraria uns 5 anos, depois eu ia ser faxineira. 
(Freddie Mercury)

domingo, 28 de agosto de 2011



Déjame por un instante sumergirme en la locura de los artistas. Olvidar las reglas que impone el hombre para no transgredir todo aquelle que conocemos.
No lo temo la aventura de vivir en un mundo surrealista porque mi espíritu no conoce otra verdad que la que me eleva hasta las fronteras de lo impossible.
El dia que deje de soñar manda-me flores blancas.

Salvador Dali

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

E quem precisa de legenda para entender o que se passa nessa fantástica cena?




P.S.: Como havia quebrado o pé durante as filmagens de Zorba, o Grego, o ator Anthony Quinn não pôde fazer a cena da dança na praia conforme estava escrito no roteiro, que previa muitos movimentos. Apesar disto, Quinn rodou a cena, arrastando o pé machucado. 

terça-feira, 23 de agosto de 2011


Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam...
Prosterno-me diante delas...
Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as... 
Amo tanto as palavras...
As inesperadas... 
As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem...
Vocábulos amados...
Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho...
Persigo algumas palavras... 
São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema... 
Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... 
E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as... 
Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda... 
Tudo está na palavra... 
Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu... 
Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que, se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes... 
São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada... 
Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos... 
Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas.
Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca. mais,se viu no mundo... 
Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... 
Por onde passavam a terra ficava arrasada...
Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. 
Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. 
Saímos perdendo... Saímos ganhando... 
Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... 
Levaram tudo e nos deixaram tudo...
Deixaram-nos as palavras.

(A Palavra - Pablo Neruda)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ickle e Lardee - os dentes de leite mais fofos do mundo




Um dia um dente de leite bateu à minha porta e disse: 
"- Oi!"  

Assim Inhae Renee Lee, a artista plástica responsável pela criação dessas fofurinhas, define como tudo começou. No começo era apenas um blog, agora ela já publicou o livro - por enquanto disponível só nos Estados Unidos (hello, editoras brasileiras! Queremos esse livro por aqui!) - com algumas aventuras dessa pequena dupla dental e lançou a loja virtual com produtos muito fofos.


Abaixo um vídeo que mostra como Inhae Lee cria os cenários das historinhas.



Eu já estou completamente apaixonada!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011


Hilda Hilst



Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua
Aquietá-los.
Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.
Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.
Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

"Se um dia, já homem feito e realizado, sentires que a terra cede a teus pés, que tuas obras desmoronam, que não há ninguém à tua volta para te estender a mão, esquece a tua maturidade, passa pela tua mocidade, volta à tua infância e balbucia, entre lágrimas e esperanças, as últimas palavras que sempre te restarão na alma: minha mãe, meu pai."

(Rui Barbosa)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"Não basta ser ocupado.
A pergunta é: estamos ocupados com o quê?"
(Henry David Thoreau)

"O dia em que nada aprendemos é dia perdido".
(Rui Barbosa)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011


"Ora, tudo é viver, previvendo, é existir, preexistindo, é ver, prevendo. E, assim, está o coração, cada ano, cada dia, cada hora, sempre alimentado em contemplar o que não vê, por ter em dote dos céus a preexcelência de ver, ouvir e palpar o que os olhos não divisam, os ouvidos não escutam, e o tato não sente.
Para o coração, pois, não há passado, nem futuro, nem ausência. Ausência, pretérito e porvir, tudo lhe é atualidade, tudo presença. Mas presença animada e vivente, palpitante e criadora, neste regaço interior, onde os mortos renascem, prenascem os vindoiros, e os distanciados se ajuntam, ao influxo de um talismã, pelo qual, nesse mágico microcosmo de maravilhas, encerrado na breve arca de um peito humano, cabe, em evocações de cada instante, a humanidade toda e a mesma eternidade."
(Rui Barbosa - Oração aos moços)

domingo, 7 de agosto de 2011

Alicia Keys Covers Coldplay's "Clocks" (at iheartradio)


Belíssima versão !

As lágrimas que me fizeram verter, eu perdoo.
As dores e as decepções, eu perdoo.
As traições e mentiras, eu perdoo.
As calúnias e as intrigas, eu perdoo.
O ódio e a perseguição, eu perdoo.
Os golpes que me feriram, eu perdoo.
Os sonhos destruídos, eu perdoo.
As esperanças mortas, eu perdoo.
O desamor e o ciúme, eu perdoo.
A indiferença e a má vontade, eu perdoo.
A injustiça em nome da justiça, eu perdoo.
A cólera e os maus-tratos, eu perdoo.
A negligência e o esquecimento, eu perdoo.
O mundo, com todo o seu mal, eu perdoo.
[...]
[...]
Serei naturalmente capaz de amar acima de todo desamor,
De doar mesmo que despossuída de tudo,
De trabalhar alegremente mesmo que em meio a todos os impedimentos,
De estender a mão ainda que em mais completa solidão e abandono,
De secar lágrimas ainda que aos prantos,
De acreditar mesmo que desacreditada.

Ela abre os olhos, coloca as mãos na minha cabeça e diz com toda a autoridade que vem do Alto:
– Assim seja. Assim será.

(Paulo Coelho - O Aleph)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Mâitre à penser


[...] está expresso, lá onde, refletindo a hipocrisia das declarações de paz em perene contraste com a crua realidade das ações de guerra, coloquei-me a pergunta: "Quem os detém, quem os deterá?". (O Terceiro ausente: ensaios e discursos sobre a paz e a guerra)

Norberto Bobbio, 1989

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Data venia, dotô...

Linguagem jurídica é famosa pelo uso abusado do latim, tanto nas peças quanto nas defesas orais. No entanto, há quem fique confuso com o simples uso da norma culta da língua portuguesa, jurando tratar-se do emprego do latim - quiça do grego. Imagine quando um há de um lado alguém com o mais alto conhecimento da língua portuguesa e do outro alguém que não teve a oportunidade de uma boa educação escolar?

Diz a lenda que Rui Barbosa (grande jurista brasileiro), ao chegar em casa um certo dia, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal.

Chegando lá, constatou um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe: 

"Oh, bicéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada."

E o ladrão, confuso, diz:
- "Dotô, eu levo ou deixo os pato?" 

Sinto-me viva

Meus mestres estão nos livros cujas páginas são reais e virtuais,  em memórias esquecidas que lembro enquanto digito, rabisco, escrevo e penso. É um momento de ser o que sou.
Cerco-me deles. São meus melhores conselheiros. Mas se conselho fosse bom... eles não o teriam escrito. É muito mais uma oportunidade de reflexão se vista de uma certa perspectiva. Eram sábios demais para se dar ao desperdício da pena em conselhos oferecidos. Tinham o que ensinar, e não palpitar. Uma prática em extinção, infelizmente.
Da amizade com Platão já não sei mais contabilizar os anos. Nossos diálogos são muito reais e inteligíveis, latentes e superficiais. Palavras eternas que fazem minha imaginação seguir um curso incapaz na compreensão do melhor dos navegadores enquanto harmoniza o sextante nas incontáveis estrelas.
Ao encontrar o tempo perdido de Proust, vislumbrei a mim mesma e o menino que tanto amo. Um amor de mãe que se dedica a cada dia para ele tenha ainda mais vida vivida e deixe de ser um mero projetar de uma imaginação que por muitas vezes – ainda bem! – não me permite dormir, relaxar, repousar. Sou tão feliz por escrevê-lo.
Parece-me que sigo o traçado de pensamentos já existentes em mim e no universo, e a maior parte do tempo sinto-me burra, tola e imatura diante de tão profundos conhecimentos. Quero apenas um pó dessa sabedoria. Eu, uma mera iniciante. E que bom é iniciar.
Espero poder acabar. Ou melhor, espero poder continuar o que comecei. Pois o começo do início sempre me é incerto e a chegada do fim é uma incógnita. Só o caminho é divino. Há harmonia nas curvas e desencontros que vivi. Isso é belo!
Que felicidade é viver o caminho que traço no presente. Já não quero mais perder-me no caminho que já percorri. Sigo de hoje para fazer o amanhã. Um dia por sua vez. Assim vivo caminhando. Assim sigo escrevendo.
Penso, escrevo. Logo, sinto-me viva. E isso é muito melhor do que meramente existir. Desculpe Descartes, mas isso é a mais pura verdade. Pelo menos é a minha verdade, e ela me libertou.

(Nina Oliver)

domingo, 31 de julho de 2011

Oswaldo Montenegro - Lua e Flor

Diga-me uma coisa: dá para não flutuar com essa flauta???

Pouco importa se acreditam em mim ou não.
Eu sei a verdade que carrego comigo.

Nina Oliver
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

 Cecília Meireles

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Hoje em dia, a crítica moderna usa o adjetivo "adulto" como marca de aprovação. Ela é hostil ao que denomina "nostalgia" e tem absoluto desprezo pelo que se chama de "Peter Panteísmo". Por isso, em nossa época, se um homem de cinqüenta e três anos admite ainda adorar anões, gigantes, bruxas e animais falantes, é menos provável que ele seja louvado por sua perpétua juventude do que seja ridicularizado e lamentado por seu retardamento mental.



[Mas] os críticos para quem a palavra “adulto” é um termo de aplauso, e não um simples adjetivo descritivo, não são nem podem ser adultos. Preocupar-se em ser adulto ou não,
admirar o adulto por ser adulto, corar de vergonha diante da insinuação de que se é infantil: esses são sinais característicos da infância e da adolescência. E, na infância e na adolescência, quando moderados, são sintomas saudáveis. É natural que as coisas novas queiram crescer. Porém, quando se mantém na meia-idade ou mesmo na juventude, essa preocupação em “ser adulto” é um sinal inequívoco de retardamento mental. Quando eu tinha dez anos, eu lia contos de fadas escondido e ficava envergonhado quando me pilhavam. Hoje em dia, com cinqüenta anos, leio-os abertamente. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino, inclusive o medo de ser infantil e o desejo de ser muito adulto.A visão moderna, a meu ver, envolve uma falsa concepção de crescimento. Somos acusados de retardamento porque não perdemos um gosto que tínhamos na infância. Mas, na verdade, o retardamento consiste não em recusar-se a perder as coisas antigas, mas sim em não aceitar coisas novas. Hoje gosto de vinho branco alemão, coisa de que eu tenho certeza de que não gostaria quando criança; mas não deixei de gostar de limonada. Chamo esse processo de crescimento ou desenvolvimento, porque ele me enriqueceu: se antes eu tinha um único prazer, agora tenho dois. Porém, se eu tivesse de perder o gosto por limonada para admitir o gosto pelo vinho, isso não seria crescimento, mas simples mudança. Hoje em dia já não gosto somente de contos de fadas, mas também de Tolstói, Jane Austen, Trollope, e chamo isso de crescimento; se tivesse precisado deixar de lado os contos de fadas para apreciar os romancistas, não diria que cresci, mas que mudei.

C.S. Lewis

Alice retrucou, bastante timidamente: 
"Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então."

Lewis Carroll

I'm not there




"Um homem é um sucesso 
se pula da cama de manhã 
e vai dormir à noite,
e nesse meio tempo faz o que gosta".

(Bob Dylan)

"Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado, e disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho."
(Walt Whitman)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mais Clarice

Fica sempre um pouco de perfume...

Moradores erguem rosas durante homenagem às vítimas, nesta segunda-feira (25), em Oslo (Foto: Reuters)

"Não importa os motivos da guerra, a paz ainda é mais importante que eles."
Roberto Carlos
Pouco importa a religião seguida pelo atirador da Noruega. O que chama a minha atenção neste atentado é uma nova característica: a falta do semblante perdido e desequilibrado que geralmente todo atirador apresenta. Como mencionou meu querido @neiduclos: "o atirador parece um ator de seriado cult". Eu vou ainda mais longe. Ao ver a foto do atirador pela primeira vez pensei "parece um príncipe encantado do conto dos irmãos Grimm". Ao olhar pela segunda vez a constatação: "não, ele é o príncipe encantado dos filmes do Shrek". Lembram do Encantado e do que ele promove contra o povo de Tão-tão Distante no terceiro filme da série? E o povo fica ali, sem ação, assistindo a toda a encenação de um belo jovem tomado pela loucura.Mas, diferentemente do povo de Tão-tão Distante, o povo norueguês não se fez mais refém do terror do que já foi. Partiu para as ruas, munido de flores e, com atitudes pacíficas, afirmou para o mundo: "somos o país do Nobel da Paz.". Bravo!

Filosofar-drops sobre dinheiro e sustento

Adele cover's Aretha Franklin's 'Natural Woman'

Caminho

domingo, 24 de julho de 2011

Ofício



"Todo ofício é digno quando feito com amor. 
Que o amor nos inspire no trabalho ou nas necessárias pausas." 
(Gabriel Chalita)

Uma lição sobre a verdade - por Nina Oliver

- Mestre, eles não acreditaram em mim. - disse a aprendiz.

- Você contou a verdade? - perguntou o mestre.

- Sim. - respondeu a aprendiz.

- Então isso basta. A verdade não necessita que pessoas acreditem nela para ser verdade. Verdade é sempre verdade. Sempre. - ensinou.

- Obrigada, mestre. - aprendeu.

- De nada.

A suspeita transforma o homem

O folclore alemão conta a história de um homem que, ao acordar, reparou que seu machado desaparecera. Furioso, acreditando que seu vizinho o tivesse roubado, passou o resto do dia observando-o.
Viu que tinha jeito de ladrão, andava furtivamente como ladrão, sussurrava como um ladrão que deseja esconder seu roubo. Estava tão certo de sua suspeita, que resolveu entrar em casa, trocar de roupa, e ir até a delegacia dar queixa.
Assim que entrou, porém, encontrou o machado – que sua mulher havia colocado em outro lugar. O homem tornou a sair, examinou de novo o vizinho, e viu que ele andava, falava e se comportava como qualquer pessoa honesta.

Sol

Pensando as circunstâncias


"Não importa o quão gélido seja o tempo.
O calor em vim sempre vence."

(Nina Oliver)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pensando o mistério da escrita


A escrita não tem hora marcada para acontecer, mas quando acontece, marca.
Não sabe ao certo os erros do escrito, mas traz a certeza de que quer ser grafada.
Grafando-se no tempo, torna-se atemporal, eterna. 
É inesquecível, mesmo nas tentativas frustadas do fogo em apagar a tinta.
O que a apaga é a não-existência, o medo de torná-la no que é: a letra grafada.
Eis o mistério da escrita que ganha vida no curso dos traços e
respira a cada curva de letra, a cada palavra formada, a cada sentença criada.
É oração de quem escreve e de quem lê.
É redenção. Missão.
Sem hora marcada. Marca.
Fica grafada nas mãos de quem a escreve.
Fica gravada nas mãos invisíveis da escrita.

(Nina Oliver)